Palmeiras x Cruzeiro em 1998, na final da Copa do Brasil

O gol impossível: quando o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil de 1998

Notícias

Hoje é dia de Palmeiras x Cruzeiro. E nada mais justo que relembrar um confronto que me marcou bastante. Obviamente muitos outros me marcaram, até porque passei a torcer com maior fervor para o Palmeiras e me lembrar dos jogos a partir de 1997, quando tinha 7 anos. Nesta época, Palmeiras e Cruzeiro vinham de grandes jogos e partidas decisivas, como a final da Copa do Brasil de 1996, final da Copa Mercosul de 1998, três jogos eletrizantes pelo Brasileirão 1998 e claro, a final da Copa do Brasil de 1998.

Há partidas que transcendem o resultado final e se eternizam na memória de quem as viveu. Para mim, menino de apenas 8 anos que começava a descobrir as emoções de torcer pelo Palmeiras, o dia 30 de maio de 1998 foi exatamente isso: o dia em que aprendi que o futebol é capaz de produzir momentos mágicos, improváveis e absolutamente inesquecíveis.

Naquela tarde de outono no Morumbi, o Palmeiras precisava reverter a derrota de 1 a 0 sofrida no Mineirão para conquistar sua primeira Copa do Brasil. O adversário era o Cruzeiro, algoz da final de 1996, quando o time de Luxemburgo, Rivaldo e Djalminha havia caído diante da Raposa. A revanche estava ali, ao alcance das chuteiras.

O clima não era dos melhores. Luiz Felipe Scolari, que comandava o Verdão há pouco mais de um ano, sabia que uma nova derrota na final poderia custar seu cargo. A torcida de pouco mais de 45 mil pessoas no Morumbi trazia consigo a esperança, mas também a ansiedade de quem já havia sido frustrada dois anos antes. E vinha de um vice do Brasileirão em 1997 e insucessos nos Campeonatos Paulistas sob o comando de Felipão.

Logo aos 12 minutos, Oséas trocou de papel com Paulo Nunes: trabalhou pela direita e cruzou rasteiro para a área. Paulo Nunes, o “Diabo Loiro”, apareceu como um camisa 9 para completar e explodir o Morumbi. Era 1 a 0, o placar agregado estava empatado e o título começava a ganhar contornos de realidade para os palmeirenses.

Mas o futebol raramente é linear. O Cruzeiro de Levir Culpi cresceu na segunda etapa. O Palmeiras, nervoso, recuava. As substituições de Felipão não surtiram o efeito esperado. A torcida, inquieta, via o tempo passar e o fantasma dos pênaltis se aproximar. Velloso, o goleiro que havia falhado na final de 1996, já se aquecia na beirada do gramado, preparando-se mentalmente para a temida disputa.

Na cabine de imprensa, comentava-se que esta seria a primeira final da Copa do Brasil decidida nas penalidades máximas. No banco do Palmeiras, a tensão era palpável. Aos 43 minutos do segundo tempo, quando parecia que o destino estava selado, Almir conseguiu uma falta na intermediária, na meia-direita do campo.

Zinho ajeitou a bola. E quem não ficou indignado com a tentativa de um chute de tão longe e com tão pouca possibilidade de entrar? Mas Zinho tentou. O lance parecia perdido, mais uma tentativa frustrada num jogo que escorria pelos dedos.

A bola foi em direção à meta, o goleiro Paulo César fez a defesa parcial, e ali, como numa coreografia ensaiada pelo destino, surgiu Oséas. O camisa 9, o predestinado, pegou o rebote de forma totalmente improvável, sem ângulo, e colocou a bola no fundo das redes aos 44 minutos.

O Morumbi explodiu. Eu, menino de 8 anos grudado na televisão, pulei, gritei e aprendi ali que o futebol pode ser cruel, mas também pode ser mágico. Aquele gol, que ficaria conhecido como “gol espírita” pela ausência aparente de ângulo, selou a conquista inédita do Palmeiras na Copa do Brasil.

Relembre como foi a final:

Mais que um jogo

Vinte e sete anos depois, aquela tarde permanece viva na memória. Não apenas pelo título conquistado, mas porque foi ali que minha paixão pelo Palmeiras se consolidou de vez. Foi vendo Paulo Nunes comemorar com os braços abertos e Oséas sendo engolido pelos companheiros que entendi o que significava vestir a camisa alviverde.


FICHA TÉCNICA Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro Copa do Brasil 1998 – Final (2º jogo) Data: 30/05/1998 Local: Estádio do Morumbi, São Paulo Público: 45.237 Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos (SE)

Gols: Paulo Nunes (12′ do 1º tempo) e Oséas (44′ do 2º tempo)

Palmeiras: Velloso; Neném, Roque Júnior, Cléber e Júnior; Galeano, Rogério e Zinho; Alex (Arílson); Paulo Nunes (Almir) e Oséas (Pedrinho). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Cruzeiro: Paulo César; Gustavo, Marcelo Djian, Wilson Gottardo e Gilberto; Valdir, Ricardinho e Marcos Paulo; Bentinho (Caio), Marcelo Ramos e Elivélton (Geovanne). Técnico: Levir Culpi

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *