Análise: R$ 700 milhões investidos em 12 jogadores, mas apenas quatro reforços do Palmeiras em 2025 deram certo (por enquanto)

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O Palmeiras viveu em 2025 sua maior janela de transferências da história. Foram R$ 700 milhões desembolsados em 12 contratações que prometiam devolver o clube ao topo do futebol nacional e continental. O planejamento era ambicioso: reformular o elenco, rejuvenescer o grupo e manter a competitividade em todas as frentes. Na teoria, perfeito. Na prática, apenas metade dos reforços justificou o investimento bilionário.

Dos 12 jogadores que chegaram ao Allianz Parque ao longo da temporada, somente quatro conseguiram se estabelecer e agregar valor real ao time de Abel Ferreira: Vitor Roque, Andreas Pereira, Lucas Evangelista e Bruno Fuchs. Os outros oito ficaram entre a irrelevância e a incapacidade técnica para vestir a camisa alviverde em alto nível. Também teve um caso especial (Paulinho).

Os que deram certo

Vitor Roque, a contratação mais cara da história do futebol brasileiro (R$ 154 milhões), atravessou momentos de instabilidade no início, mas fechou 2025 como o melhor jogador do Palmeiras na reta final. Com 20 gols em 56 partidas, o “Tigrinho” finalmente encontrou seu espaço e se firmou como a principal referência ofensiva do clube. Sua evolução foi visível jogo a jogo, e hoje não há dúvidas de que o investimento valeu a pena. É um dos grandes jogadores do futebol brasileiro neste momento.

Andreas Pereira chegou por R$ 63,5 milhões em agosto e rapidamente se tornou peça-chave no meio-campo. Aos 29 anos, trouxe maturidade, visão de jogo e técnica refinada. Sua adaptação foi quase instantânea. Ele já é visto como um dos pilares do time para 2026.

Lucas Evangelista também foi prejudicado por lesões. Inclusive rompeu o músculo da coxa e perdeu toda a reta final do Brasileirão. Mas quando atuou, demonstrou ser uma opção valiosa no meio-campo, especialmente depois da saída de Richard Ríos. Sua intensidade, capacidade de marcação e transição rápida agregaram ao setor mais carente do elenco palmeirense.

Bruno Fuchs, que chegou por empréstimo do Atlético-MG, foi um achado. O zagueiro se firmou como alternativa segura na defesa e ganhou a confiança do treinador em jogos importantes. Sem custo de transferência, ele se tornou uma das melhores relações custo-benefício da janela.

Pouco tempo para avaliação

Carlos Miguel, goleiro que veio do Nottingham Forest por R$ 35 milhões, assumiu a titularidade nas ausências de Weverton e foi discreto. Não fez nenhum grande jogo, apesar de boas defesas. Deixou a desejar em alguns momentos também, especialmente em saídas do gol pelo alto. Apesar da expectativa, está longe de passar confiança para o torcedor. É preciso de mais tempo.

Um caso especial

Paulinho chegou como um dos principais reforços do Palmeiras. Contudo, o jogador mal atuou por conta de uma nova lesão. Foram 16 jogos, sempre entrando ao longo das partidas, e apenas três gols marcados. Mas, por conta de tudo isso, Paulinho está longe de ser um fracasso. A questão é que o retorno dele em 2026 é mais aguardado do que uma nova grande contratação palmeirense. Ele pode vir a ser o grande nome do clube no próximo ano. É o que se espera de um atacante de R$ 120 milhões.

Os que decepcionaram

Se a lista dos acertos tem seis nomes, a dos fracassos também. E aí mora o grande problema do planejamento palmeirense: a outra metade do investimento simplesmente não rendeu.

Facundo Torres chegou do Orlando City por cerca de R$ 78 milhões com status de grande contratação. O uruguaio era esperado para ser protagonista no ataque, mas se perdeu taticamente. Suas atuações foram apagadas, sem o impacto esperado para um jogador de seu calibre e valor. Hoje, Facundo é mais uma opção do banco do que uma certeza no time titular.

Emiliano Martínez, volante uruguaio contratado também no início do ano, pouco apareceu. Não conseguiu se adaptar ao futebol brasileiro, ficou à margem das escolhas de Abel Ferreira e virou coadjuvante.

Micael, zagueiro que chegou para reforçar o setor defensivo, não mostrou condições de jogar no Palmeiras. Pouquíssimas oportunidades, atuações inseguras quando escalado e, no fim das contas, mais um nome que ocupa espaço no elenco sem agregar valor real. Os jogos contra o Corinthians e Chelsea ficaram marcados negativamente.

Ramón Sosa, atacante paraguaio trazido por R$ 79 milhões, é outro que não justificou o investimento. Com passagens discretas pelo time, ele não conseguiu se firmar e acabou virando mais uma peça de rotação sem impacto decisivo. Para um atleta que custou quase R$ 80 milhões, a expectativa era muito maior. Mas, da lista é quem chegou por último e deverá ter mais espaço em 2026.

Khellven e Jefté, laterais contratados na janela do meio do ano, também decepcionaram. Khellven, que veio por R$ 32 milhões, teve poucas chances e quando jogou, não convenceu. Jefté, lateral-esquerdo de 22 anos, segue o mesmo caminho: pouco espaço, atuações medianas e a sensação de que o investimento não valeu a pena. Ambos estão distantes do esperado e necessário para um clube como o Palmeiras.

O preço do desperdício

Quando um clube investe R$ 700 milhões e vê apenas metade dos reforços realmente funcionarem, o alarme precisa soar. Não se trata de falta de dinheiro. O Palmeiras tem capacidade financeira de sobra, como provam as vendas bilionárias de Endrick e Estêvão. O problema está na análise técnica, na prospecção e na identificação de perfis que realmente se encaixam no modelo de jogo de Abel Ferreira. E também as próprias escolhas de Abel Ferreira, que mais erra do que acerta quando precisa indicar atletas para a diretoria palmeirense.

Contratar 12 jogadores em uma temporada é, por si só, um desafio logístico e de integração. Mas quando metade deles simplesmente não corresponde, o processo de reformulação se torna caótico. O elenco fica inchado, jovens da base perdem espaço, a folha salarial dispara e o técnico precisa lidar com jogadores que não conseguem agregar ao grupo.

A diretoria palmeirense precisa olhar para esses números com autocrítica. Dos R$ 700 milhões investidos, uma boa parte foi desperdiçada em apostas que não deram certo. E enquanto Facundo Torres, Emiliano Martínez, Micael, Ramón Sosa, Khellven e Jefté não mostrarem evolução, ou deixarem o clube, a sensação de oportunidade perdida permanecerá.

2026 exige precisão cirúrgica

Para a próxima temporada, o recado é claro: menos volume, mais precisão. O Palmeiras não precisa de 12 contratações; precisa de três ou quatro reforços certeiros que realmente elevem o nível do elenco. A reformulação de 2025 mostrou que quantidade não é sinônimo de qualidade.

O Palmeiras não precisa gastar tanto quanto em 2025. Mas precisa acertar. Especialmente quando o assunto for volantes. É o setor de maior carência no atual elenco.

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