O Allianz Parque continua sendo uma das grandes máquinas geradoras de receita do Palmeiras. Segundo o orçamento aprovado para 2026 pelo Conselho de Orientação e Fiscalização (COF), o clube alviverde projeta arrecadar R$ 78 milhões apenas com as operações do estádio. Valor este que não inclui as bilheterias das partidas de futebol.
Os números demonstram a importância estratégica da arena também como empreendimento multifuncional que garante fluxo de caixa constante ao clube. A previsão de R$ 78 milhões representa cerca de 6,5% da receita total estimada para 2026, que deve alcançar R$ 1,2 bilhão.
O que compõe os R$ 78 milhões?
A receita projetada com o Allianz Parque engloba diversas fontes que vão muito além dos jogos de futebol. O modelo de negócio implementado pela WTorre, gestora do estádio, transformou a arena em um dos espaços mais versáteis e rentáveis do país.
O aluguel para shows e eventos é uma das principais fontes de arrecadação. O Allianz Parque recebe grandes artistas nacionais e internacionais ao longo do ano, com a capacidade de realizar cerca de 300 eventos anuais entre concertos musicais, conferências e outras atividades culturais.
A exploração de diferentes setores do estádio também gera receita significativa. Isso inclui a utilização dos espaços para eventos corporativos, convenções, lançamentos de produtos e festas privadas, que movimentam a arena mesmo nos períodos sem jogos de futebol.
Os camarotes representam outra fatia importante do faturamento. O Allianz Parque possui camarotes premium que são comercializados tanto para empresas quanto para torcedores que buscam experiência diferenciada. A locação desses espaços garante receita recorrente ao longo de todo o ano.
As cadeiras cativas também contribuem para o montante. Torcedores e empresas que adquirem o direito de uso exclusivo de determinados assentos pagam valores anuais que integram essa conta de R$ 78 milhões.
Por fim, o naming rights segue como fonte relevante. A parceria com a seguradora Allianz, firmada em 2013 com duração de 20 anos (com opção de renovação por mais 10), garante entrada constante de recursos. O acordo foi estimado inicialmente em R$ 300 milhões ao longo de todo o período.
Bilheteria não entra na conta
É fundamental destacar que os R$ 78 milhões projetados não incluem a arrecadação com venda de ingressos para as partidas de futebol. A bilheteria dos jogos é contabilizada separadamente no orçamento do Palmeiras e representa outra parcela significativa das receitas.
Em 2025, por exemplo, o Palmeiras teve média de 36.175 torcedores por jogo no Allianz Parque durante o Campeonato Brasileiro, com renda média superior a R$ 2,5 milhões por partida. No Campeonato Paulista, a média foi de 29.431 pagantes, gerando cerca de R$ 2,4 milhões por jogo.
Considerando um calendário com aproximadamente 40 jogos como mandante ao longo da temporada – somando Paulistão, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores -, a receita com bilheteria pode facilmente ultrapassar os R$ 100 milhões anuais, dependendo da campanha do time e dos jogos realizados.
Portanto, quando somamos os R$ 78 milhões de operações do estádio com a bilheteria estimada, o Allianz Parque pode gerar ao Palmeiras uma receita total superior a R$ 180 milhões em 2026, consolidando-se como uma das mais importantes fontes de recursos do clube.
Impacto da reforma no início do ano
A projeção de R$ 78 milhões para 2026 considera o período em que o Allianz Parque ficará fechado para jogos de futebol devido à troca do gramado sintético. A obra, que começou em dezembro de 2025, se estenderá até a última semana de fevereiro de 2026.
Durante esse período, o estádio não receberá partidas do Palmeiras, mas seguirá disponível para eventos previamente agendados, como shows e conferências. Essa versatilidade é fundamental para minimizar o impacto financeiro da reforma, garantindo que a arena continue gerando receita mesmo sem o futebol.
Vale ressaltar que, apesar da ausência de jogos no início do ano, o Palmeiras manterá 100% da receita de bilheteria quando mandar partidas em outros locais, como a Arena Barueri. O acordo com a WTorre prevê que toda a arrecadação com ingressos de futebol pertence ao clube, independentemente do local da partida.
Modelo de gestão diferenciado
O sucesso financeiro do Allianz Parque está diretamente ligado ao modelo de gestão implementado quando o estádio foi inaugurado. A parceria entre Palmeiras, WTorre e AEG (Anschutz Entertainment Group) criou uma estrutura profissional capaz de maximizar o aproveitamento da arena.
A WTorre administra o local por 30 anos, sendo responsável por todas as despesas operacionais, incluindo água, luz, segurança, limpeza e manutenção. Em contrapartida, o Palmeiras recebe um percentual crescente das receitas com patrocínios, camarotes, eventos e outras atividades comerciais.
Ao final do período de 30 anos, previsto para 2044, o Palmeiras integralizará todo o empreendimento e passará a ter controle total sobre o Allianz Parque. Até lá, o modelo garante ao clube participação nas receitas sem arcar com os custos operacionais do dia a dia.
Essa estrutura permite que o Palmeiras se beneficie financeiramente da arena sem precisar se preocupar com a gestão cotidiana. Enquanto isso, a WTorre e a AEG trabalham para atrair o maior número possível de eventos, aumentando o faturamento e, consequentemente, a participação do clube nos lucros.
Comparação com outros estádios
O Allianz Parque se destaca no cenário nacional como uma das arenas mais rentáveis do país. Poucos estádios brasileiros conseguem gerar receitas consistentes fora dos dias de jogo, e o modelo palmeirense serve de referência para outros clubes.
A capacidade de realizar cerca de 300 eventos por ano coloca o Allianz Parque entre as arenas mais ativas do Brasil. Essa versatilidade garante que o estádio esteja sempre em funcionamento, gerando empregos, movimentando a economia local e, claro, trazendo recursos ao Palmeiras.
Outros clubes tentam replicar esse modelo, mas esbarram em dificuldades como localização menos privilegiada, infraestrutura inadequada para eventos ou falta de parceiros especializados em gestão de arenas. O Allianz Parque, localizado na zona oeste de São Paulo e com acesso facilitado, leva vantagem nesses quesitos.
Orçamento conservador
Os R$ 78 milhões projetados para 2026 fazem parte de um orçamento conservador que o Palmeiras tradicionalmente adota. Nos últimos anos, o clube tem superado suas próprias projeções, demonstrando que as estimativas servem mais como piso do que como teto.
Em 2025, por exemplo, a previsão inicial era de arrecadação total de R$ 1 bilhão. No entanto, já em outubro o clube havia ultrapassado R$ 1,4 bilhão em receitas, evidenciando que o planejamento é cauteloso e realista, mas que a realidade costuma ser ainda melhor.
A mesma tendência pode se repetir com as receitas do Allianz Parque em 2026. Se a arena mantiver o ritmo de eventos, se o futebol do Palmeiras for bem sucedido e se novos acordos comerciais forem fechados, o valor final pode superar facilmente a projeção inicial de R$ 78 milhões.
Essa estratégia conservadora tem sido a marca da gestão de Leila Pereira. A presidente prefere estabelecer metas realistas e superá-las do que criar expectativas infladas que podem frustrar conselheiros e torcedores caso não sejam alcançadas.
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