O Palmeiras anunciou nesta sexta-feira (12) o início do processo de troca completa do gramado sintético do Allianz Parque. A obra, que será realizada em sete etapas pela WTorre em parceria com a Soccer Grass, manterá o estádio fechado para partidas de futebol até a última semana de fevereiro de 2026. Com isso, o clube alviverde terá que mandar seus jogos iniciais da temporada em outros locais.
A expectativa é que o Verdão utilize a Arena Barueri, estádio localizado na Grande São Paulo e que pertence à presidente palmeirense Leila Pereira. A mudança temporária afetará parte significativa da disputa do Campeonato Paulista e, possivelmente, as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro.
Obra em sete fases com previsão de três meses
O processo de renovação do piso começará ainda em dezembro de 2025 com a remoção da cortiça, da areia e a retirada do gramado sintético atual. Após essas duas primeiras etapas, os trabalhos serão interrompidos temporariamente para dar espaço a espetáculos e eventos já programados na arena.
Em janeiro de 2026, a reforma será retomada com a abertura dos ramais de drenagem. Na sequência, estão previstas a retirada de resíduos de preenchimento, regularização da camada de pedrisco e compactação, abertura dos rolos do choque pad, instalação dos novos tapetes, lançamento e distribuição da areia, além da demarcação completa do campo.
Segundo o comunicado oficial, a troca do piso atende ao compromisso do Palmeiras e da WTorre de proporcionar um campo em perfeitas condições para disputas de alto nível, priorizando sempre a integridade física e a saúde dos atletas. O gramado atual possui aprovação da FIFA desde sua implementação, mas o desgaste natural causado pelo intenso calendário de jogos e eventos tornou necessária a substituição.
Impacto no Campeonato Paulista
O calendário divulgado pela Federação Paulista de Futebol aponta que o Palmeiras estreia no Paulistão 2026 no dia 11 de janeiro, contra a Portuguesa, no Canindé. O primeiro jogo como mandante está previsto para 14 de janeiro, justamente no clássico contra o Santos, que retorna à elite após conquistar o acesso à Série A.
Com o Allianz Parque indisponível, esse Derby da Baixada histórico deverá ser realizado na Arena Barueri. Outros jogos importantes da fase de grupos também acontecerão fora da casa palmeirense, o que representa um desafio adicional para a comissão técnica de Abel Ferreira no início da temporada.
A fase de grupos do Paulistão conta com 12 rodadas, e o Palmeiras deve mandar pelo menos quatro partidas como mandante nessa primeira fase. Todas elas terão que ser realizadas em outros estádios, preferencialmente na Arena Barueri, que tem capacidade para cerca de 30 mil torcedores.
Prejuízo milionário em bilheteria
A ausência do Allianz Parque representará também um impacto financeiro significativo para o clube. No Campeonato Paulista de 2025, o Palmeiras registrou média de 29.431 torcedores por jogo em casa, com renda média de 2,4 milhões de reais por partida.
Considerando essa média para 2026, o Verdão pode deixar de arrecadar cerca de 10 milhões de reais apenas com os quatro jogos da fase de grupos do estadual que serão mandados fora do Allianz Parque. No Campeonato Brasileiro, caso precise realizar três partidas como mandante antes do retorno ao estádio, o prejuízo estimado pode chegar a 8 milhões de reais adicionais.
A Arena Barueri, apesar de confortável e bem localizada, não possui a mesma capacidade de público e geração de receita que o Allianz Parque. Além disso, jogar longe de casa pode afetar o fator mando de campo, historicamente muito forte para o Palmeiras.
Polêmica sobre gramados sintéticos
A troca do gramado do Allianz Parque acontece em meio a um debate acalorado sobre o uso de pisos sintéticos no futebol brasileiro. Durante o Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro de 2026, realizado na semana passada, Fluminense e Flamengo pressionaram a CBF pelo fim da permissão dessa tecnologia na competição.
No entanto, a entidade manteve a normativa atual, e cinco clubes da Série A terão gramado sintético em 2026: Palmeiras, Atlético-MG, Botafogo, Athletico-PR e Chapecoense. Os clubes que utilizam a tecnologia divulgaram nota conjunta defendendo os pisos sintéticos modernos.
“Diante das recentes declarações públicas sobre a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro, reafirmamos nossa posição em defesa dessa tecnologia, adotada de forma responsável, regulamentada e alinhada às melhores práticas internacionais”, diz trecho do comunicado.
Os clubes argumentam que não existe padronização de gramados no Brasil e que criticar exclusivamente os sintéticos é uma narrativa simplificada e tecnicamente equivocada. Segundo a nota, um gramado sintético de alta performance supera, em diversos aspectos, campos naturais em más condições presentes em parte significativa dos estádios do país.
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